

A Casa Coruja
Numa bela noite de lua brilhante, Helen Martins caiu doente em sua cama. Olhando pela janela, ela pensava sobre como sua vida havia se tornado sem graça e cinza. Foi nesse momento que decidiu mudar: iria lutar por uma existência com mais luz e cor. E essa decisão simples de trazer mais graça ao seu entorno foi aos poucos se transformando em uma urgência obsessiva de expressar seus sentimentos íntimos, sonhos e desejos.
Não se sabe de que forma sua obra foi executada, além do fato de que o interior de sua casa – A Casa Coruja como é conhecida hoje – ter ficado pronto antes do exterior. Não havia um planejamento. O que começou como uma busca decorativa por luz e cor logo se transformou em uma fascinação pela interação entre o claro e o escuro e entre os diferentes tons. Das peças comuns que a cercavam, Helen extraiu beleza. Assim, conseguiu criar uma linguagem única composta de estátuas de sol, corujas e outras imagens. Tudo foi construído em um cenário luminoso de muros e tetos vestidos de estampas elaboradas de vidro moído contido em faixas pintadas de cores brilhantes.
Apenas quando o interior da casa ficou completo é que Helen Martins estendeu sua imaginação ao mundo além de sua porta. Ela era inspirada especialmente por textos bíblicos, pela poesia de Omar Khayyam e pelo trabalho de William Blake. Após um período de cerca de 20 anos, ela e o construtor contratado Koos Malgas criaram a partir de seus imaginários as centenas de esculturas e figuras de misericórdia que lotaram o “Jardim Camelo”,na peça de Athol Fuggard nomeado de Meca, e cobriram os muros da casa. Seus animais favoritos – as corujas e os camelos – predominaram. Mas todo tipo de ser real e fantástico foi encontrado. Uma procissão de pastores e sábios montados em seus camelos liderou uma vasta excursão até o “Leste” criado por Helen Martins, preenchendo o Cristianismo com sua fascinação pelo Oriente.
Vigiado por uma coruja, o arco na entrada da casa é protegido por uma cerca alta de cactos. Esse arco deve ter sido feito por Helen com o intuito de receber o visitante em seu mundo. Mas a cerca fala claramente de um crescente problema de relacionamento entre Helen e o mundo externo.