

Cleyde Yáconis estréia O Caminho para Meca, no Teatro Cosipa Cultura
Cleyde Yáconis mudou seus planos de descansar e decidiu aceitar o convite dos produtores Fernando Cardoso e Roberto Monteiro para viver mais uma personagem especial em sua carreira, Helen Martins, em O CAMINHO PARA MECA. Texto do dramaturgo sul-africano Athol Fugard, inédito no Brasil, direção de Yara de Novaes, o espetáculo abre a temporada teatral do recém-inaugurado Teatro Cosipa Cultura, dia 5 de abril, sábado, às 21 horas.
Escrita por Athol Fugard, um dos dramaturgos mais importantes da língua inglesa na atualidade e inédito no Brasil, a peça conta a história de Helen Martins, uma sul africana que encontra sua forma de expressão por meio da escultura. A personagem é inspirada em uma figura real, Helen Elizabeth Martins, autêntica outsider que produziu uma arte não convencional, nascida em 1897 e morta em 1976.
É certo que a história de Helen, mote de inspiração do autor, já é por si só apaixonante. Nascida e criada em uma pequena comunidade branca da África do Sul, no meio do deserto, Helen é uma mulher de costumes conservadores e culto obrigatório da fé protestante. Um dia, ao descobrir nunca ter amado o bom homem com quem foi casada, abandona a igreja dos domingos porque deixou de crer e, ao ficar viúva, encontra em suas mãos de escultora o caminho de sua liberdade pessoal e a felicidade de criar sua "Meca".
De acordo com a diretora Yara de Novaes, "Helen é a personagem ideal para que Fugard possa mostrar a resistência da sociedade perante o diferente, a eterna busca da confiança em si mesmo e nos demais, os erros dos dogmatismos religiosos e, sobretudo, tratando-se de um autor sul africano escrevendo em 1984, denunciar o apartheid como forma de convivência".
Helen recebe a visita da amiga Elsa (Lucia Romano, Prêmio Shell 2007 de melhor atriz por sua atuação em Vemvai - O Caminho dos Mortos), admiradora de suas obras, e também do pastor local (Cacá Amaral), que se preocupa com sua ausência na igreja e na pequena vila. Por meio desses encontros, discute-se a vida, a solidão, o talento, as dificuldades da idade, a amizade e a confiança das personagens.
Na opinião da diretora, "a peça é quase um rito de passagem realizado por todos os personagens, tanto o pastor (Cacá Amaral), protestante representante dessa comunidade, quanto Elza (Lúcia Romano), a estrangeira de fato naquela circunstância geográfica e histórica”.
Além de falar de apartheid, segregação racial e racismo, a peça trata da negociação das diferenças. “Como os seres diferentes se encontram e se complementam”, diz Lúcia Romano. “Mostra, ainda, duas mulheres vivendo fases diferentes da vida – Helen sente que está chegando a algum lugar, que seu tempo está acabando; enquanto Elza está no meio do caminho e querendo desistir”, comenta Cacá Amaral.